BONS TEMPOS
Sim, bons tempos, apesar das dificuldades, era um tempo bom e ruim, éramos livres e inocentes, mesmo sem nenhuma tecnologia sabíamos nos divertir, nem rádio, pelo um menos nos sitio que eu morava existia, daí um ou dois vizinhos compraram, mas e daí? Não era nosso risos, mas mãe cantava muitas músicas, eu não faço ideia como ela aprendeu, e as brincadeiras de rodas? Sim com músicas, eu não sei como, mas aprendemos.
Vocês sabiam que no século vinte,
nos anos cinquenta, a nossa mãe já
mandou tirar fotos nossas, eu com apenas um ano e dez meses e os meus irmãos
maiores, depois com seis, e sete anos, na minha primeira comunhão, como sempre
bem esperta, com uns doze anos eu guardei as fotos.
Então com o passar dos anos, sempre que tinha uma oportunidade e
dinheiro fui tirando e guardando minhas fotos, isso depois dos dezesseis anos,
na verdade, sou apaixonada por fotos e antigas então! Amo, com certeza herdei
da minha mãe.
Na nossa cidade só existia dois
fotografo, um era fotos de binóculos, mas eu fui esperta guardei, e depois o
que fiz? Mandei um fotografo já em São Paulo, transformar em cartão, hoje com a
internet mais mudanças, algumas preto e branco, colori, se eu era bonita? Não
era prejudicada, porém linda não, mas ria muito e era muito simpática, isso me
ajudou, sim, pra época eu andava até bem vestida, como vim pra São Paulo ainda
jovem, e fiquei indo e vindo até 1976, via em revistas a moda risos, ai como tinha,
e graças a Deus ainda tenho, uma prima, que na época era uma costureira muito
boa, ela fazia milagres.
Sem contar que ela conseguia deixar tudo igual, se não melhor, então
sempre andei na moda, risos, bom, as minhas irmãs as vezes tirava fotos, só que
além de não gostar, não guardaram, não me perguntem porque, mas pareciam ter
raiva do mundo, eu ao contraio, ria muito nada me deixava triste, além de gostar
de fotos, tirei no pequeno clube da cidade, na praça, nos rios, foi bom, hoje
tenho muitas lembranças de como era Itapetim com a antiga praça, a minha
opinião, era linda, já fizeram várias
reformas, mas nunca mais a fizeram, elas tão bonitas como nos anos sessenta
até anos noventa.
Na verdade, eu sai de Itapetim definitivamente no início de 1976, mas a
antiga praça, além de linda, ela tem história, sim por todos que vivemos nossa
juventude nessa época, nós tivemos o privilégio
de namorar, passear na praça, rir, eram vários bancos, onde cabia no máximo
três, mas e daí? Ficávamos em pé, ou sentados no chão, mas felizes jogando
conversa fora contando piadas, mangando até de nós (rindo).
Eu respondo por mim, eu vivi meus melhores anos, em Itapetim
Pernambuco, e porque não fiquei lá? Bom, isso é outra história, mas na minha
cabeça, Deus, tinha outros planos para mim, eu era e sou assim, danço conforme
a música.
Como eu morava no centro da cidade e na casa, mas linda, ao contrário,
risos, nem assim me fazia ser triste, ou
complexada, eu sabia aproveitar o que a vida me oferecia, e me sentia, porque?
As festas, os moços bonitos, apesar da casa feia, eu via tudo primeiro,
então...risos.
Na verdade, eu tinha meus bancos preferidos, uns seis risos, se alguém
sentava, em um dos que gostava, eu tinha outras opções, sem contar que até hoje
deixaram o S da antiga praça, mesmo que hoje não existe mais nada pra sentar, eu
amava fica no meu do S, há! Eu nunca sentava no mesmo banco com um novo,
ficante quer dizer, um que eu gostasse um pouco.
Sim não foram só coisas boas, como até hoje existe, jovens bons e
ruins, sabe aqueles? Pois é, que vieram ao mundo e curtia a vida fazendo
maldade eu infernizado a vida dos outros, uns invejosos e outros metidos a
besta, me refiro aos que tinha uma vida melhor, esses viviam de nariz em pé, mesmo
comendo o pão que o diabo amassou acreditavam serem os melhores.
Já eu preferi viver a vida com alegria, rindo muito, me divertindo até
de mim, até dezesseis anos, era tímida, boba, então aos dezoito anos a minha
vida mudou, obvio pra melhor.
Eu vivi intensamente, hoje aos doze anos as meninas já estão namorando,
algumas aos treze, engravida e acreditam que isso é viver e aproveitar a vida,
não namora, o namoro já é na cama e pelado, ainda crítica e acreditam que nós,
do século vinte não vivemos, sim meus amores, nós vivemos, eu por exemplo,
namorei muito.
Namorar na cama, na pré-adolescência, não significa que você viveu e
soube aproveitar a vida, ao contrário, hoje a maioria, não só dos jovens, mas a
mulherada, acreditam e segundo elas, os direitos são iguais, porque os homens
podem fazer coleção e contar aos quatro ventos com quantas mulheres transou, ai
as mulheres tem que fazer o mesmo, só que o homem não engravida nem fica muitas
vezes sozinho cuidando dos filhos, o pior que poucos são os homens que assumem
e ajuda na criação dos filhos, mas tem mulheres que fazem mais, tem até quatro
filhos, pior, um de cada homem, na real,
a mulher aderiu os direitos iguais, até no sexo com vários homens, mas
quem tem que criar os filhos? Algumas os avós, outros com um mês, a creche,
outros o mundo cria.
Moral da história, fomos e somos nós, do século passado que não
aproveitamos a vida, por namoramos sentados numa praça e não fazíamos sexo
antes dos vinte? Ok sempre ouve exceções, mas era menos explicito e uma
vergonha pra família, ou vocês, que com doze anos já vão pra cama no primeiro
encontro?
Sim, eu fui da época que namorar era namorar, que se vivia com menos
liberdade em todos os sentidos, mas com certeza, beijávamos na boca e de língua,
mas até isso tinha limites, os bailes íamos pra dançar, conversar, vocês sabiam
que tínhamos assuntos, me refiro aos namorados?
Não meus queridos, nós não ficávamos pensando só em abraçar e beijar,
tinha nossos momentos sem exageros, eu juro, foi uma época de ouro, de bailes
com música boa, de namoros sem cama, de diversão, de onde viver e se
divertir não queria dizer andar
praticamente peladas, nos exibindo e quando um homem passasse da conta, não era
porque éramos vulgares e andávamos chamando atenção ao máximo.
Até os homens tinham limites e
sabe porquê? Existia respeito e dignidade de ambas as partes. Hoje banalizou
tudo, não existe nem uma coisa nem outra, são poucos homens e mulheres que se
amam, e amam principalmente seus corpos.
Joana darc N de Araújo a Ferreira
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