SERA
QUE JÁ OUVE FELICIDADE?
Mais quem disse que fomos infelizes ? Nós mesmo inventávamos nossas
brincadeiras, nós improvisávamos nossas bonecas com sabugo de milho, ou pano, nossos
brinquedos? O meu irmão e um primo, faziam de madeira velhas, há! A nossa bola
era de meias velhas, nós enchíamos de pano, e, lá estava nossa bola.
E nós brincávamos de matar, que hoje é queimada, academia(amarelinha)
pular corda, andar de perna de pau, inventávamos de tudo, não parávamos, eu por
exemplo amava desafiar o perigo, mexer com bichos personhentos, como cobras,
subir em pedra, pés de coco, de frutas, mas não ficava satisfeita se não
subisse nos piores lugares.
E tomar banho? Era em rios, açude e lagoas entre as pedras, mas as mais
perigosas, eu sempre gostei do perigo, nunca andei normal, eu vivia correndo,
quando chovia forte, mesmo relampeando e com trovões enormes, eu adorava tomar
banho na chuva e correr até os rios, foi bom enquanto pude e durou risos, hoje até
andar é com sacrifícios, mas quem disse que reclamo?
Bons doces? Não existia, brinco, tinha rapadura, época de moagem nos
engenhos se tivéssemos dinheiro comprávamos mel ou alfenim, vou contar pra
vocês, até pra comprar um confeito (Bala) ou goma de masclar (Chiclete)era
difícil, eu nem sei como estragávamos os dentes, não estou brincando, foi a
época mais difícil que vivemos, mas eu juro, não reclamava, sabe porquê? Eu não
sabia se existia algo melhor, morávamos num sitio onde todos levava a mesma
vida de sacrifício e falta de muita coisa.
Mas sim, eu fui feliz, ria de tudo, até da nossa desgraça, agora se existia
algo que eu morria de medo, era quando morria alguém, ai nem na frente da casa
conseguia passar sozinha, e, se existia uma cruz onde havia morrido alguém,
passava correndo risos.
Sim obvio! ouve uma época que até o barulho de um carro eu morria de medo,
e, se eu estivesse numa estrada e escutasse o barulho de um carro, me escondia,
tremendo de medo, a primeira vez que vi um barulho de um avião, isso muito
longe, eu jurava que o mundo estava acabando.
Mas mesmo assim, eu fui feliz, mesmo vivendo com tão pouco, em todos os
sentidos.
Hoje mesmo todos tendo uma vida melhor, não digo de rico, porque até
hoje, a maioria da humanidade não tem casa, emprego, ultimamente, são poucos os
tem moradia, emprego e uma vida fácil, mas com certeza pra vista da época, em
que eu vivi, hoje existe mais comodidade, mas com certeza, existe gente mais preguiçosa
e revoltada e acha tudo difícil, alguns preferem se acomodar a correr atrás, ai
a coisa só piora.
Antes não existia oportunidade, muito
menos de onde tirar, hoje a maioria das pessoas correm do pesado, muitos, mesmo
sem estudo querem tudo na mão, ai fica difícil.
Seria muito bom, se as pessoas pensassem de como eram viver no início
do século vinte e bem antes, daí soubesse agradecer a Deus, se esforçando e
procurando não depender dos outros, outra coisa não povoasse o mundo quando não
tivesse condições nem se sustentar, mas não, continua fazendo filhos, um atrás
do outro e pra que?
Já foi a época de uma família ter 15 filhos, um é bom dois é pouco três
é demais, os que podem, tem uma casa e emprego garantido, no mínimo tem um, já
os que nada tem, povoa a casa e o mundo.
Eu não estou falando besteira é a mais pura verdade, eu queria sim ter
uns cinco, quando eu vi a despesa de dois, parei nos três, é difícil, pior que
muitos, nem amor consegue demostrar aos filhos, ai crescem jovens revoltados,
desiludido, sem expetativas e esperança.
Eu sei, que principalmente nos dias hoje com tantos meios de
comunicações, as crianças não entendem porque uns tem e eles não, quem tem
muito tem muito, quem não tem nada, é nada mesmo, só raiva, ódio, revolta e
onde desconta? Nos mais fracos, que são as mulheres e muitos nos filhos, essa é
a mais pura realidade. Deus! Eu só tenho de agradecer por tudo, Deus foi, e é maravilhoso
comigo.
Joana Darc N de Araújo A Ferreira
Um comentário:
Sua verdade,
é a minha.
Vivi tudo isso e
Era maravilhoso. Fomos crianças felizes.
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