De coração, na minha cabeça eu já
não acreditava que, agora no século XXI, ainda teria o prazer de ouvir uma boa
música com letra. Tinha perdido a esperança. Como eu acreditava que os bons,
alguns haviam morrido e os outros, já na terceira idade, nunca mais ouviria
algo que realmente valesse a pena. Essa era a minha opinião: não vai existir
alguém que eu consiga gostar e ouvir sem querer me matar. É porque os jovens de
hoje, coitados! Nunca souberam o que era realmente escutar uma boa música que
os fizesse sonhar, acreditando estar vivendo aquela história.
Sim, no Brasil, no final dos anos
sessenta e início dos setenta, tivemos os melhores compositores e cantores. Não
vou falar quem eram, porque não dá para enumerar todos nessa história, mas,
assim como existiam os brasileiros, existiam músicas inglesas, francesas e
muitas de outras línguas estrangeiras sensacionais. Eram tantas músicas com
bons compositores que não dava para escolher só um. Fomos privilegiados nós que
nascemos no século XX.
Aí tive uma bela surpresa! Não digo que me tenha cansado das músicas antigas,
mas, por vezes, perguntava-me: será que já não teremos o prazer de ouvir um
cantor-compositor atual cujas músicas me toquem verdadeiramente o coração?
Foi então que escutei uma música
chamada «Saudade que Queima». Gostei tanto que a ouvi uma, duas, três vezes…
fazia muito tempo que uma música atual não me emocionava daquela maneira, juro!
Chorei. Foi uma mistura de saudade, lembranças e sentimentos que aquela melodia
despertou em mim. Decidi, então, pesquisar no YouTube para conhecer melhor o
canal e descobrir quem estava por trás daquelas músicas. Na descrição dos
vídeos, encontrei a informação de que havia uma pessoa real, com sensibilidade,
criatividade e paixão pela música, que recorria à inteligência artificial para
desenvolver os seus projetos musicais e audiovisuais.
Pensei imediatamente: este homem
entende de música! É alguém que parece ter uma veia romântica e apaixonada por
aquilo que faz. Nota-se a intenção de transmitir sentimentos através das
letras, das melodias e dos conceitos que dão vida a cada criação. Aliás,
imagino que trabalhar com estas tecnologias não seja tão simples como muitas
pessoas pensam. Basta procurar informação sobre o assunto para perceber que
existem diferentes etapas, decisões criativas e muito trabalho envolvido. Por
isso, quando alguém diz que «é só inteligência artificial», está a desvalorizar
todo o trabalho humano que pode existir por detrás de cada lançamento.
Também já ouvi pessoas dizerem que
quem utiliza a IA está a tirar o pão aos artistas. Mas será que devemos olhar
para a questão dessa forma? Quem cria estes projetos também é uma pessoa real,
com ideias próprias, sensibilidade, dedicação e horas de trabalho investidas
naquilo que faz. A inteligência artificial é uma ferramenta como outras, mas a
forma como é utilizada, as ideias que a orientam e os objetivos que se
pretendem alcançar dependem também de quem está por detrás do projeto,
é verdade que a utilização destas tecnologias levanta questões importantes e
que nem todas as situações são iguais. Ainda assim, não me parece justo
desvalorizar automaticamente um trabalho apenas porque recorre à inteligência
artificial. O que importa também é perceber o contributo humano, a
criatividade, a dedicação e a emoção que a obra consegue transmitir. Afinal, a
tecnologia pode ajudar, mas não substitui necessariamente a sensibilidade de
quem tem algo para contar e deseja partilhá-lo com os outros. E, quando uma
música nos emociona de verdade, acho que vale a pena reconhecer isso. Foi por
essa razão que, antes de mais, procurei saber mais sobre quem estava por detrás
dos canais Jindungobeats e Lume D’Alma. Queria conhecer melhor os projetos e
compreender o que me tinha levado a sentir tanto ao ouvir aquelas músicas.
Se conheço pessoalmente o criador?
Não, de maneira nenhuma! Nunca tive esse prazer. Sei apenas que não é
brasileiro, mas isso não me impede de gostar das suas músicas. A música tem
essa capacidade maravilhosa de ultrapassar fronteiras, aproximar pessoas e
despertar sentimentos, independentemente do país de onde vem.
Gostei tanto do que descobri que decidi partilhar algumas músicas no meu
Facebook. Quis dar a conhecer estes canais a outras pessoas, para que também
pudessem ouvir, descobrir e, se gostassem, subscrever. Afinal, partilhar uma
música de que gostamos não custa nada. Pelo contrário, dá-nos o prazer de
ajudar outras pessoas a descobrir algo que nos tocou o coração.
Tenho acompanhado os lançamentos e
vejo que há música nova com regularidade nos dois canais. Apesar de o Lume
D’Alma ser um projeto recente, já apresenta canções românticas e apaixonantes,
capazes de despertar memórias, saudades e emoções que, por vezes, julgávamos
esquecidas.
Confesso que, durante muito tempo,
associei este tipo de romantismo sobretudo a grandes nomes da música
brasileira, como Benito de Paula, Erasmo Carlos e Reginaldo Rossi, entre tantos
outros artistas que marcaram gerações e que já partiram, deixando-nos um legado
musical inesquecível. Não quero dizer que não existam outros grandes
compositores ou que a música romântica pertença a uma época específica. Quero
apenas dizer que, para mim, é uma alegria encontrar projetos atuais que
procuram manter viva essa forma de fazer música: aquela que fala de amor, de
saudade, de encontros, de despedidas e de tudo aquilo que sentimos, mas nem
sempre conseguimos expressar por palavras.
E talvez seja esse o motivo pelo
qual essas músicas me tocaram tanto. Por trás da tecnologia, encontrei canções
que me fizeram sentir. E, no final de contas, é isso que procuro na música:
emoção, histórias que me digam alguma coisa e melodias que permaneçam comigo
mesmo depois de terminarem. Por isso, deixo o meu convite a quem ainda não
conhece estes projetos: visitem os canais Jindungobeats e Lume D’Alma, escutem
algumas músicas e tirem as vossas próprias conclusões. Talvez também encontrem
uma canção que vos faça recordar alguém, reviver um momento especial ou
simplesmente sentir aquela emoção que só a música consegue despertar.
Porque, no fim, o mais importante
não é apenas a forma como uma música é criada, mas aquilo que ela consegue
fazer-nos sentir. Mas com certeza ainda existem: Roberto Carlos, Osvaldo
Montenegro, Almir Bezerra, Engenheiros do Hawaii, José Augusto e tantos outros
que só estão esquecidos pela idade e hoje se apresentam muito pouco. Bom, no
Nordeste tem muita gente boa, tanto no forró como das antigas, mas existe um
compositor e cantor sensacional de nome Flávio Leandro. Além de ótimo compositor,
canta com a alma. Óbvio! No Brasil tinha e tem bandas maravilhosas, mas
infelizmente hoje já não têm tanto espaço. Outros resolveram parar, afinal o
povo, além de egoísta, não curte velhos e coisas antigas.
Agora, se tem algo que nunca
gostei foi música sertaneja. Essas, para mim, não existem. Agora, popular
brasileira, amo todas. Mas, de coração, agora com esses dois canais citados que
eu sigo, eu passei a sentir que ainda existem bons compositores. Graças a Deus
existe a internet com suas músicas antigas. Sem querer ser chata, mas eram as
únicas que ainda conseguia ouvir. Não estou generalizando, infelizmente se
conta nos dedos quem compõe e canta uma música que dá para se ouvir. Sem
brincadeira, não dá para entender: o mundo evoluiu tanto, mas em matéria de
música, principalmente no Brasil, está deixando muito a desejar.
A vida e o mundo cresceram em
todos os sentidos, apesar de muita gente acreditar que quem nasceu no século XX
não viveu, ao contrário: mesmo em alguns aspectos tendo sido muito difícil, com
sofrimento e falta de conhecimento em várias áreas de saúde e cultura, sim, com
certeza fomos de uma geração privilegiada com a boa música. E quem queria, o
estudo era muito bom — como até hoje, só aprende e vai longe quem quer, agora,
o que aumentou muito foram pessoas desumanas, com o coração cheio de ódio, e
que, com o passar dos anos, só aumentaram, é tanto egoísmo, maldade, pessoas se
achando melhores que Deus, acreditando que nada as atinge e que, se elas têm
uma vida boa, não foi porque Deus as ajudou, mas porque elas mereceram, então,
como nasceram ricas, podem tudo.
Sem brincadeira, muitos debocham
de tudo, desafiam o perigo e resolvem até reformar ou refazer o próprio corpo,
sem se preocupar com o que poderá lhes acontecer. Na cabeça dos fanáticos
doentes, eles podem tudo sem precisar ou pedir a intervenção de Deus, e isso é
em todas as situações: ninguém quer saber a opinião de ninguém, principalmente
de Deus. O mundo virou terra de ninguém. Eu já sou idosa, mas penso nos meus
netos e bisnetos que virão; se antes tudo tinha uma razão de ser, hoje nada
importa, é tudo: na religião, na cultura, no respeito ou na opinião do Criador.
O mundo virou de ponta-cabeça, ninguém se entende ou faz algo acreditando estar
agradando à vontade do Pai Eterno, o povo enlouqueceu em todos os sentidos,
seja na religião, seja na política. Ninguém quer pedir, rezar, orar ou
conversar com Deus, a injustiça tomou conta do mundo. Os piores, para muitos,
são os melhores.
Joana Darc N. de Araújo A.
Ferreira