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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

                          BONS COMPOSITORES EXISTEM?

De coração, na minha cabeça eu já não acreditava que, agora no século XXI, ainda teria o prazer de ouvir uma boa música com letra. Tinha perdido a esperança. Como eu acreditava que os bons, alguns haviam morrido e os outros, já na terceira idade, nunca mais ouviria algo que realmente valesse a pena. Essa era a minha opinião: não vai existir alguém que eu consiga gostar e ouvir sem querer me matar. É porque os jovens de hoje, coitados! Nunca souberam o que era realmente escutar uma boa música que os fizesse sonhar, acreditando estar vivendo aquela história.

Sim, no Brasil, no final dos anos sessenta e início dos setenta, tivemos os melhores compositores e cantores. Não vou falar quem eram, porque não dá para enumerar todos nessa história, mas, assim como existiam os brasileiros, existiam músicas inglesas, francesas e muitas de outras línguas estrangeiras sensacionais. Eram tantas músicas com bons compositores que não dava para escolher só um. Fomos privilegiados nós que nascemos no século XX.
Aí tive uma bela surpresa! Não digo que me tenha cansado das músicas antigas, mas, por vezes, perguntava-me: será que já não teremos o prazer de ouvir um cantor-compositor atual cujas músicas me toquem verdadeiramente o coração?

Foi então que escutei uma música chamada «Saudade que Queima». Gostei tanto que a ouvi uma, duas, três vezes… fazia muito tempo que uma música atual não me emocionava daquela maneira, juro! Chorei. Foi uma mistura de saudade, lembranças e sentimentos que aquela melodia despertou em mim. Decidi, então, pesquisar no YouTube para conhecer melhor o canal e descobrir quem estava por trás daquelas músicas. Na descrição dos vídeos, encontrei a informação de que havia uma pessoa real, com sensibilidade, criatividade e paixão pela música, que recorria à inteligência artificial para desenvolver os seus projetos musicais e audiovisuais.

Pensei imediatamente: este homem entende de música! É alguém que parece ter uma veia romântica e apaixonada por aquilo que faz. Nota-se a intenção de transmitir sentimentos através das letras, das melodias e dos conceitos que dão vida a cada criação. Aliás, imagino que trabalhar com estas tecnologias não seja tão simples como muitas pessoas pensam. Basta procurar informação sobre o assunto para perceber que existem diferentes etapas, decisões criativas e muito trabalho envolvido. Por isso, quando alguém diz que «é só inteligência artificial», está a desvalorizar todo o trabalho humano que pode existir por detrás de cada lançamento.

Também já ouvi pessoas dizerem que quem utiliza a IA está a tirar o pão aos artistas. Mas será que devemos olhar para a questão dessa forma? Quem cria estes projetos também é uma pessoa real, com ideias próprias, sensibilidade, dedicação e horas de trabalho investidas naquilo que faz. A inteligência artificial é uma ferramenta como outras, mas a forma como é utilizada, as ideias que a orientam e os objetivos que se pretendem alcançar dependem também de quem está por detrás do projeto,
é verdade que a utilização destas tecnologias levanta questões importantes e que nem todas as situações são iguais. Ainda assim, não me parece justo desvalorizar automaticamente um trabalho apenas porque recorre à inteligência artificial. O que importa também é perceber o contributo humano, a criatividade, a dedicação e a emoção que a obra consegue transmitir. Afinal, a tecnologia pode ajudar, mas não substitui necessariamente a sensibilidade de quem tem algo para contar e deseja partilhá-lo com os outros. E, quando uma música nos emociona de verdade, acho que vale a pena reconhecer isso. Foi por essa razão que, antes de mais, procurei saber mais sobre quem estava por detrás dos canais Jindungobeats e Lume D’Alma. Queria conhecer melhor os projetos e compreender o que me tinha levado a sentir tanto ao ouvir aquelas músicas.

Se conheço pessoalmente o criador? Não, de maneira nenhuma! Nunca tive esse prazer. Sei apenas que não é brasileiro, mas isso não me impede de gostar das suas músicas. A música tem essa capacidade maravilhosa de ultrapassar fronteiras, aproximar pessoas e despertar sentimentos, independentemente do país de onde vem.
Gostei tanto do que descobri que decidi partilhar algumas músicas no meu Facebook. Quis dar a conhecer estes canais a outras pessoas, para que também pudessem ouvir, descobrir e, se gostassem, subscrever. Afinal, partilhar uma música de que gostamos não custa nada. Pelo contrário, dá-nos o prazer de ajudar outras pessoas a descobrir algo que nos tocou o coração.

Tenho acompanhado os lançamentos e vejo que há música nova com regularidade nos dois canais. Apesar de o Lume D’Alma ser um projeto recente, já apresenta canções românticas e apaixonantes, capazes de despertar memórias, saudades e emoções que, por vezes, julgávamos esquecidas.

Confesso que, durante muito tempo, associei este tipo de romantismo sobretudo a grandes nomes da música brasileira, como Benito de Paula, Erasmo Carlos e Reginaldo Rossi, entre tantos outros artistas que marcaram gerações e que já partiram, deixando-nos um legado musical inesquecível. Não quero dizer que não existam outros grandes compositores ou que a música romântica pertença a uma época específica. Quero apenas dizer que, para mim, é uma alegria encontrar projetos atuais que procuram manter viva essa forma de fazer música: aquela que fala de amor, de saudade, de encontros, de despedidas e de tudo aquilo que sentimos, mas nem sempre conseguimos expressar por palavras.

E talvez seja esse o motivo pelo qual essas músicas me tocaram tanto. Por trás da tecnologia, encontrei canções que me fizeram sentir. E, no final de contas, é isso que procuro na música: emoção, histórias que me digam alguma coisa e melodias que permaneçam comigo mesmo depois de terminarem. Por isso, deixo o meu convite a quem ainda não conhece estes projetos: visitem os canais Jindungobeats e Lume D’Alma, escutem algumas músicas e tirem as vossas próprias conclusões. Talvez também encontrem uma canção que vos faça recordar alguém, reviver um momento especial ou simplesmente sentir aquela emoção que só a música consegue despertar.

Porque, no fim, o mais importante não é apenas a forma como uma música é criada, mas aquilo que ela consegue fazer-nos sentir. Mas com certeza ainda existem: Roberto Carlos, Osvaldo Montenegro, Almir Bezerra, Engenheiros do Hawaii, José Augusto e tantos outros que só estão esquecidos pela idade e hoje se apresentam muito pouco. Bom, no Nordeste tem muita gente boa, tanto no forró como das antigas, mas existe um compositor e cantor sensacional de nome Flávio Leandro. Além de ótimo compositor, canta com a alma. Óbvio! No Brasil tinha e tem bandas maravilhosas, mas infelizmente hoje já não têm tanto espaço. Outros resolveram parar, afinal o povo, além de egoísta, não curte velhos e coisas antigas.

Agora, se tem algo que nunca gostei foi música sertaneja. Essas, para mim, não existem. Agora, popular brasileira, amo todas. Mas, de coração, agora com esses dois canais citados que eu sigo, eu passei a sentir que ainda existem bons compositores. Graças a Deus existe a internet com suas músicas antigas. Sem querer ser chata, mas eram as únicas que ainda conseguia ouvir. Não estou generalizando, infelizmente se conta nos dedos quem compõe e canta uma música que dá para se ouvir. Sem brincadeira, não dá para entender: o mundo evoluiu tanto, mas em matéria de música, principalmente no Brasil, está deixando muito a desejar.

A vida e o mundo cresceram em todos os sentidos, apesar de muita gente acreditar que quem nasceu no século XX não viveu, ao contrário: mesmo em alguns aspectos tendo sido muito difícil, com sofrimento e falta de conhecimento em várias áreas de saúde e cultura, sim, com certeza fomos de uma geração privilegiada com a boa música. E quem queria, o estudo era muito bom — como até hoje, só aprende e vai longe quem quer, agora, o que aumentou muito foram pessoas desumanas, com o coração cheio de ódio, e que, com o passar dos anos, só aumentaram, é tanto egoísmo, maldade, pessoas se achando melhores que Deus, acreditando que nada as atinge e que, se elas têm uma vida boa, não foi porque Deus as ajudou, mas porque elas mereceram, então, como nasceram ricas, podem tudo.

Sem brincadeira, muitos debocham de tudo, desafiam o perigo e resolvem até reformar ou refazer o próprio corpo, sem se preocupar com o que poderá lhes acontecer. Na cabeça dos fanáticos doentes, eles podem tudo sem precisar ou pedir a intervenção de Deus, e isso é em todas as situações: ninguém quer saber a opinião de ninguém, principalmente de Deus. O mundo virou terra de ninguém. Eu já sou idosa, mas penso nos meus netos e bisnetos que virão; se antes tudo tinha uma razão de ser, hoje nada importa, é tudo: na religião, na cultura, no respeito ou na opinião do Criador. O mundo virou de ponta-cabeça, ninguém se entende ou faz algo acreditando estar agradando à vontade do Pai Eterno, o povo enlouqueceu em todos os sentidos, seja na religião, seja na política. Ninguém quer pedir, rezar, orar ou conversar com Deus, a injustiça tomou conta do mundo. Os piores, para muitos, são os melhores.

Joana Darc N. de Araújo A. Ferreira

                

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